ÁFRICA, MINHA RAIZ
Uma folha de palmeira ondula provocante
E me roça nos cabelos. Desperto um pouco e sorrio.
Ela vai, ela volta e beija-me com seu hálito fresco.
É uma noite tropical, como muitas que vivi.
Na praia, assitindo ao sol poente, descobri
Que África é encanto, segredo, lenda, bruxedo,
Tudo o que a alma lhe quiser chamar.
Mesmo morto, para trás dos morros
O sol deixou no céu púrpura
Um rasto de agonia e sangue.
E mesmo enterrado nas trevas
Arrasta consigo a baía, já calma e exangue.
Agora é o calor da noite, é a vez dos sonhos
É a brisa cálida que nos engole.
Sobre mim, o Cruzeiro entrelaça estrelas
Com abraços de água e areias amarelas.
Longe, o silêncio dos flamingos no mangal
A mistura doce, branca e rosa das suas penas.
Das senzalas, a melodia negra, o batuque, a fuba, o pirão
Homens que regressam à cubata
Levando na boca kissangua e uma triste canção.
Capulanas multicores e infindáveis
Envolvem corpos reluzentes,
E missangas, missangas ...
E mãos que levam milongo para os filhos doentes.
África, deusa, serpente,
África, mulher de corpo roliço,
Áfirica das noites negras, do encanto,
Dos contos da Arábia e das sagas,
África minha, razão de ser, semente
Da saudade, do desejo e do dilema.
É para ti África este poema.
Iva, a 27 de Outubro de 1970 (com quimbundo)
E me roça nos cabelos. Desperto um pouco e sorrio.
Ela vai, ela volta e beija-me com seu hálito fresco.
É uma noite tropical, como muitas que vivi.
Na praia, assitindo ao sol poente, descobri
Que África é encanto, segredo, lenda, bruxedo,
Tudo o que a alma lhe quiser chamar.
Mesmo morto, para trás dos morros
O sol deixou no céu púrpura
Um rasto de agonia e sangue.
E mesmo enterrado nas trevas
Arrasta consigo a baía, já calma e exangue.
Agora é o calor da noite, é a vez dos sonhos
É a brisa cálida que nos engole.
Sobre mim, o Cruzeiro entrelaça estrelas
Com abraços de água e areias amarelas.
Longe, o silêncio dos flamingos no mangal
A mistura doce, branca e rosa das suas penas.
Das senzalas, a melodia negra, o batuque, a fuba, o pirão
Homens que regressam à cubata
Levando na boca kissangua e uma triste canção.
Capulanas multicores e infindáveis
Envolvem corpos reluzentes,
E missangas, missangas ...
E mãos que levam milongo para os filhos doentes.
África, deusa, serpente,
África, mulher de corpo roliço,
Áfirica das noites negras, do encanto,
Dos contos da Arábia e das sagas,
África minha, razão de ser, semente
Da saudade, do desejo e do dilema.
É para ti África este poema.
Iva, a 27 de Outubro de 1970 (com quimbundo)
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