CASTELO BRANCO, IDANHA A NOVA E MONSANTO - A BELEZA IMACULADA DA ARTE
A 50 Km de Espanha, Castelo Branco é uma cidade pujante.
O casco histórico denuncia uma velha história, que remonta à ocupação romana e regista a presença dos Templários. D. Manuel concede Novo Foral em 1510 e é elevada a cidade em 1771 por D. José.
As suas muralhas sofreram as ofensivas dos Espanhóis, durante a guerra da Restauração, e os ataques liderados por Junot, aquando das invasões Napoleónicas ou a Guerra Peninsular.
Este é o Cruzeiro de S. João, de estilo manuelino, e de pedra granítica perfeitamente trabalhada.
É hoje classificado como monumento nacional.
Representa Cristo crucificado e situa-se no Largo de S. João, uma praça ampla, tranquila, onde se passa docemente umas belas horas.
Jardis do Paço Episcopal, o ex-libris da cidade.
Esta é a fachada da escadaria dos reis, com uma estatuária profusa.
O verde luxuriante das sebes, os azulejos de um azul forte, as paredes e os muros caiados, as esculturas a lembrar biscuit, com as estações do ano, os seus repuxos de água e o sol ardente conferem a este monumento uma aura especial, um toque palaciano que me impressiona.
Os bordados de Castelo Branco são famosos.
Em colchas bordadas a seda, apanágio do enxoval de raparigas nobres e plebeias, representam virtudes.
Para o lar é a àrvore da vida, o cravo e a rosa simbolizam o homem e a mulher, e para os desposados são dois pássaros juntos, como se pode ver neste quadro que retratei na casa de uns amigos.
E, para meu contentamento, a beleza dos bordados continua na fachada dos edifícios.
Num cruzamento da cidade, os quatro prédios nas suas extremas ostentam um bordado belíssimo em todo o painel de azulejos.
Em Idanha a Nova, foi uma noite surpreendente.
No centro cultural, reconstruído com absoluto respeito pelas tradições da terra, assisti, encantada, a um concerto peculiar.
O fado cantado ao som do piano.
O Gil ao piano.
Este cartaz estava em Monsanto, onde pude fotografar a dupla talentosa.
Um retrato autorizado.
O piano e o fado.
Momentos únicos.
No Centro Cultural está patente uma vasta colecção de arte sacra e de arte popular.
O amor pelas tradições.
Um livro peculiar.
À entrada de Monsanto, freguesia do concelho de Idanha a Nova.
"A aldeia mais portuguesa de Portugal".
Um aglomerado de escarpas em rocha granítica e de megalitos que fez com que este lugar tenha sido, ao longo dos tempos, inexpugnável. Que o digam as tropas que, em vão, o quiseram tomar.
O seu troféu é o Galo de Prata, cuja réplica orgulhosamente permanece no cimo da Torre do Relógio.
A primeira anfitriã.
Vende marafonas ou matrafonas, bonecas feitas em trapo sobre uma cruzeta de pau.
Em Monsanto são usadas para celebrar a fertilidade e a felicidade conjugal, na festa das Cruzes, que se festeja a 3 de Maio, se coincidir com um Domingo, ou num Domingo seguinte.
Durante a festa as raparigas casadoiras bailam com as marafonas e, na noite de núpcias, deixam-nas debaixo da cama, pois as bonecas não têm olhos, nem boca, nem ouvidos.
De tudo me deu conta a D. Lídia.
Panorâmica de Monsanto, captada na subida (íngreme) para o castelo.
É de ficar sem fôlego....
Igreja de S. Miguel do Castelo.
Estilo românico.
Completamente isolada, entre as fragas e o céu.
Surpreendentemete, esta boa gente tem o porco bem tratado.
Numa pocilga arejada, o visitante tem direito a esta distração.
Uma casa debaixo de rocha, onde trepa uma ramada.
Quase de forma anacrónica, a morada resiste à luz elécrtrica do lampião.
A casa onde morou Fernando Namora, médico e escritor que deixou uma vastíssima obra marcada por uma absoluta humanidade.
Nascido em 1919, em Condeixa-a-Nova, calcorreou aldeias do Portugal profundo, onde contactou com os mais pobres. Em 1951 fixa-se em Lisboa e aí falece em 1989.
Homem dotado de grande sensibilidade para compreender os Outros, legou-nos uma obra ímpar, da qual se destaca "Retalhos da vida de um médico", cuja leitura me marcou irremediavelmente.
Ali fiquei a contemplar a sobriedade da casa e a reflectir nos parcos recursos que este médico tinha à sua disposição (percorrendo as distâncias de burro para consultar os seus pacientes), escassez que nunca limitou a Grandeza da sua Alma e a nobreza da sua Vocação.
Comentários
Enviar um comentário