NEVE EM ISTAMBUL
Cúpulas da Mesquita Azul
Partimos depois do Natal de 2008, para passar o ano em Istambul.
Nevou no dia anterior à chegada, e os dias que se seguiram foram pardacentos, com um frio imenso, a tocar temperaturas negativas.
Apesar da expectativa de algum sol, que não se cumpriu, o viajante deve ser capaz de se adaptar, rapidamente, às circunstâcias que o rodeiam. E aproveitar tudo de bom que a viagem lhe pode proporcionar.
Assim aconteceu.
Foram dias inesquecíveis, especialmente para mim que matava saudades de Istambul.
E, apesar da neblina, foi bom rever a Mesquita Azul, mandada construir pelo Sultão Ahmed, entre os Séculos VI e XVI, situada na praça com o seu nome - Sultanameht.
Aqui foi o centro de Bizâncio Romano e da Constantinópla Bizantina e Otomana.
É um ponto de visita obrigatória, e, na sua periferia, encontramos os mais interessantes vestígios do passado, como o hipódromo, o obelisco de Teodósio (Imperador Bizantino cuja biografia merece ser estudada)monumento que foi trazido do templo de Karnak, no Egípto, e a Cisterna da Basílica, de uma beleza indescritível, e que demonstra o génio de arquitectos especializados na preservação da água, um bem essencial quando uma cidade se encontra cercada pelo inimigo.
Muitas ruínas trazem-nos de volta a conturbada história de Constantinópla, mas recordar-me de estas já é um bálsamo.
Uma panorâmica do mar da Mármara, que, através do estreito de Bósforo, pode ligar-nos com o Mar Negro, que banha a costa da Roménia.
Foi pena não ter podido rever o azul turquesa deste mar, o tempo não permitia tal prognóstico.
Encontrei um mar cinza, mas a beleza do lugar, das pessoas e de Istambul compensa a perda.
Depois, há sempre a hipótese de voltar!
A Basílica de Santa Sofia (Ayasofya) foi construida em 537.
Foi a maior igreja do mundo, até ter sido transformada em mesquita, no ano de 1453.
Só com a construção da Basílica de S. Pedro (uns anos mais tarde) é que deixaria este estatuto, já que tem um altura inferior à de S. Pedro,
O seu interior é imponente e avassalador, quer pela sua dimensão, quer pela profusão de mármores, de azulejos bizantinos, de lampadários, dos gigantescos símbolos turcos, e da mistura que ilustra bem a passagem dos séculos, as lutas pelo seu domínio, e até o poder do planeta que a sacudiu, com terramotos, por inúmeras vezes.
Um pormenor especialmente encantador do Palácio Topkapi, que foi a sede do Império Otomano durante quatro séculos.
Aqui encontramos jardins, fontes, pequenos palácios, reservados às favoritas do Sultão, a zona do harém, um tesouro constituido por peças múltiplas (copos, bandejas, cadeiras, tronos, camas), feitas em ouro e adornadas com pedras preciosas, sem esquecer o diamante mais célebre do mundo, que aqui se encontra.
Tudo emoldurado por uma vista de mais de 160º sobre o mar da Mármara e o estreito de Bósforo.
Um painel de azulejos azul forte, arte sempre presente no Palácio.
Esta é a entrada para a Mesquita Azul.
Lá mais adiante, há que descalçar sapatos e colocar os sacos de plástico que, por sorte, temos à nossa disposição e devem ser usados para entrar no templo.
Dentro, a serenidade, a luz coada e o silêncio são o convite para a introspecção e o descanso.
Pátio no interior da Mesquita.
Onde os fiéis tratam das suas abluções que cumprem ritualmente, pois de um símbolo se trata, que é o da Purificação.
Antes da oração, há que lavar pés, mãos e rosto, como forma de deixar para trás um corpo contaminado pelo contacto com as coisas mundanas.
Vista do interior da Mesquita Azul.
A única em Istambul que possui seis minaretes.
Os muçulmanos não aceitam imagens ou estatuária, pelo que o interior das mesquitas é despojado e só se dá realce aos azulejos ou frescos com motivos florais ou geométricos.
O seu recorte no horizonte deixa uma marca indelével de exotismo.
Uma imagem captada no crepúsculo.
A beleza fica intocável.
Foram muitas as vezes que subimos em direcção à Mesquita para vê-la de perto, sentados a tomar chá de maçã numa belíssima pastelaria com a fachada em vidro, literalmente virada para o formoso jardim à sua frente.
A fonte do jardim da Mesquita.
Um instantâneo tirado num outro dia, ainda antes de se por o sol.
Istambul é uma das muitas cidades que povoa o nosso imaginário colectivo, associada umbilicalmente aos contos das Mil e Uma Noites.
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