UM ESTRANHO SÍMBOLO E UM ÍCONE RECICLADO
O Manneken Pis, escultura minúscula em bronze, aninhada numa pequena fonte, numa esquina do centro histórico de Bruxelas.
É a atracção e o símbolo da cidade.
Na verdade, não consigo compreender o fascínio que ela desperta. Poderá ser apenas curiosidade?
Interessante é como os Belgas transformaram esta "insignificância" num ícone que nos apanha em cada canto e recanto.
Em várias cores e materiais, réplicas da escultura são o adorno das vitrines, o pretexto para bares e discotecas, tema dos souvenirs, tudo o que possam imaginar....
E não esquecer o ritual, tamb+em estranho, de vestir o menino com trajes diferentes....
Quem não tiver sorte, pode vê-lo nu, como veio ao mundo.
O mesmo já não se pode dizer do Atomium, em pleno Heysel Park.
Construido em 1958, para a Feira Universal ou Expo 58, é uma estrutura com 102 metros de altura e 9 esferas de aço interligadas por escadarias e escadas rolantes. Em cada uma das esferas abertas ao público podemos ver exposições temáticas interessantes, como esta última que pude ver sobre as migrações dos povos, em busca de uma vida digna e de trabalho.
Adorei o pormenor incisivo que não deixou escapar a fotografia, as malas de viagem, as roupas e apetrechos de época, as cartas de saudade, os elos afectivos que ligam eternamente os emigrantes à sua terra de origem e fazem a ponte com o novo mundo que os acolheu.
Um hino contra a xenofobia, quadros feitos de todas as cores da pele.
O Atomium sofreu obras de remodelação entre 2004 e 2006, e tem agora um ar moderno.
Substituiram o revestimento original por aço inoxidável, e, assim, a estrutura reflecte o brilho do sol.
Por isso, é óptimo espreitar lá de cima, através de uma das janelas panorâmicas que nos permite ver o parque verde, a zona de recreio mesmo ao lado (a Mini-Europa, a lembrar o Portugal dos Pequeninos), as avenidas largas e os monumentos mais longínquos.
Vale mesmo a pena ir de combóio para caminhar um bom pedaço e ver o Atomium, imponente.
Fez agora 50 anos e é o monumento mais visitado na Bélgica.
Foi preciso génio para o conceber e erigir.
Tal como Eiffel fez, em 1889, com a sua "menina de ferro", hoje o ícone de França e do mundo.
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