VERONA - ONDE A BELEZA SE CRUZA COM UM AMOR PROIBIDO
Setembro de 2010
Banhada pelo rio Adige, Verona é uma cidade do norte de Itália que povoa o imaginário de todos quantos leram o mais conhecido romance trágico de todos os tempos, e o mais levado à cena em todo o mundo: Romeo and Juliet de William Shakespeare. Foi uma das primeiras obras escritas pelo dramaturgo inglês, que também se inspirou num conto italiano mais antigo.
O mesmo legado literário nos deixou Camilo Castelo Branco, com o seu Amor de Perdição, obra igualmente inesquecível.
Quem viu o filme de Zeffirelli, de 1968, nunca se esquecerá da visceral inimizade das duas famílias Veronesas, os Capuleto e os Montecchio, e do amor improvável que uniu os seus únicos filhos, Julieta e Romeu, que preferiram simular a morte - propiciadora da projectada fuga - à proibição do seu amor adolescente. O seu plano malogrado conduziu-os à morte, mas o Amor perdurou nos séculos e é essa reminiscência que buscamos, sempre que visitamos Verona.
A cidade é bela, seja qual for a perspectiva.
Percorremos uma teia de ruas estreitas, bordadas por um casario de traça neoclássica, e mergulhamos numa profusão de cores, com um sabor muito Italiano, com flores entrelaçadas nas varandas, pequenas igrejas multiseculares, frescos pintados em toda a parte, pequenas praças pejadas de gente, mães descontraidas que passeiam os filhos em bicicleta, enquanto fazem as suas compras do dia, mercados de rua, o pequeno comércio tradicional, a alegria do sol.
Fachada da Igreja de S. Giovanni in Foro, um templo com muitos séculos, onde o tempo deixou uma marca de serenidade, recolhimento e profunda beleza.
Uma perspectiva peculiar da Cantina dal Zovo, com as garrafas nos parapeitos das janelas gradeadas.
As mães que passeiam os filhos.
A Piazza Erbe, ponto de atracção de turistas fervilha de comércio.
Por ali ficamos a apanhar sol, ou a estender o olhar em redor.
É absolutamente fantástico escrutinar todas as fachadas, com um toque de palácio clássico.
A estética é bem conseguida e, como sempre, estamos rodeados de varandins formosos e bem conservados.
Ao fundo, uma coluna semelhante à de Veneza, com o leão de S. Marco, um dos símbolos da República Sereníssima.
E, em baixo, um dos pátios mais visitados de Verona.
De acordo com a lenda, terá sido nesta varanda que Julieta jurou amor eterno a Romeu, com a protecção incondicional da sua aia, testemunha silenciosa de uma paixão proibida.
Também aqui se rodou o filme sobre uma outra obra de Shakespeare, "A fera amansada".
E a tradição que se cumpre.
Não com bom gosto, mas que se tornou praxe seguida pela esmagadora maioria dos turistas.
Uma pausa para um almoço informal.
Uma bela sandwiche, bem ao gosto Italiano.
Valeu pela beleza de época da cafetaria.
Uma cena que se repete em muitas cidades de Itália, como Sienna e Roma.
Bordados por encomenda, podemos ter um avental personalizado.
A Arena de Verona, um dos mais belos anfiteatros romanos que, devido à sua fenomenal acústica e conservação, é palco das melhores produções de Ópera.
Historiadores Italianos consideram que este monumento foi edificado em data anterior ao Século I e reconstruido após o Renascimento, já que um terramoto o destruiu literalmente por volta de 1117.
De resto, um dos anfiteatros romanos mais similares a este é, precisamente, o que se encontra em Pula, cidade da Croácia, e que tive oportunidade de visitar muito antes da extinção da Jugoslávia.
Por estas terras também se processou a romanização do Império.
Não resisti à pasagem deste frade, e capturei esta imagem que fala pelos seus contrastes.
Uma placa assinala a passagem de Giuseppe Garibaldi por Verona.
Denominado o "herói dos dois mundos" por ter participado activamente nos movimentos de unificação da Itália e da América do Sul, nasceu em Nice (actual cidade de França) em 1807, e dedicou a sua vida ao combate contra a ocupação dos estrangeiros.
Foi marinheiro e soldado e viveu entre exílios, cruzando oceanos, em permanente luta contra os exércitos francês, espanhol, austríaco e napolitano.
A sua biografia é, efectivamente, uma epopeia que merece um estudo profundo.
Verona foi integrada no Reino de Itália, em 1866, com a III Guerra da Independência Italiana, em que participou Garibaldi.
Um recanto que vibra de cor.
As palavras sobram diante de tanta beleza arquitectónica.
Verona é uma cidade maravilhosa.
Um exemplo de como pode crescer harmoniosamente uma cidade, fundindo estilos, preservando a história e os tempos de paz e de guerra.
Hoje é património da Humanidade, assim declarada pela UNESCO.
Voltarei!
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