UM PORTO SENTIDO

A Praça da Ribeira (ou do Cubo, como ficou a ser conhecida depois da escultura de José Rodrigues).
Um local de visita obrigatória, para se sentir a genuina forma de sentir dos portuenses "de gema".
Quem sobe em direcção ao Palácio da Bolsa encontra, à sua direita, a Casa do Infante, onde se crê ter nascido o Infante D. Henrique, em 1394.





A marginal da Ribeira, onde nos podemos sentar, num dos seus bancos, para ver mulheres, raparigas e rapazes dar uns bons mergulhos nas águas do rio Douro, nos dias em que o calor aperta.
Um hábito ancestral, a não perder...

Também aqui fêz história um homem simples, que ficou conhecido pelo Duque da Ribeira, por ter resgatado, viva ou morta, tanta gente.
  



O casario que lha de frente para Gaia e para a Serra do Pilar.



Uma embarcação que se assemelha ao barco rabelo, típico do rio Douro.
Construído para transportar as pipas de vinho fino, produzido na região demarcada do Douro, até às margens do Porto onde era armazenado e comercializado.
Conduzidos pela força manual de homens é hoje um símbolo da Invicta, reclamado por turistas que se passeiam.



A Ponte Luiz I (ou de D. Luis) que liga Porto a Vila Nova de Gaia.
Com dois tabuleiros metálicos, foi construída entre 1881 e 1888, para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias entre os burgos.



Actualmente, o tabuleiro superior está reservado ao metropolitano. O projecto é da autoria de um sócio de Gustavo Eiffel, o engenheiro Belga Teófilo Seyring.



A sombra projectada na água.



Uma perspectiva da ponte, com os pegões-encontro em destaque.
A Ponte D. Luis substitui uma ponte pênsil (construida em 1845) após a tragédia ocorrida com a Ponte das Barcas (construída em 1806 e assente em 20 barçaças ligadas por cabos de aço).

Foi nesta ponte que ocorreu um dos maiores desastres do Porto, em 29 de Março de 1809, quando a população, apavorada, fugia das tropas de Soult, que comandou a 2ª invasão francesa. Mais de 4.000 portuenses morreram. Uma placa evocativa, no passeio da Ribeira, conhecida por Alminhas da Ponte, não deixa desvanecer esta memória.



O Pavilhão dos Desportos, vulgarmente conhecido por Palácio de Cristal.
Edificado para abrigar a Grande Exposição Industrial do Porto, inaugurada pelo rei D. Luis, era uma estrutura em ferro, vidro e granito, com 2 naves imponentes, réplica do Crystal Palace de Londres.

Esta jóia de arquitectura foi destruida em 1951 para dar lugar à nova estrutura em betão. O descontentamento do povo portuense resiste até hoje. 



Pavões à solta.


Uma vista tomada dos jardins do palácio de Cristal, com a Ponte da Arrábida, a oeste.



O tráfego no rio Douro.



Jardins da Casa Tait, situada numa das ruas estreitas que vão serpenteando e que conduzem ao chamado passeio Romântico do Porto.
Com uma traça que denota a presença Inglesa, pois foi habitada a partir de 1900 por William Tait, rico negociante de vinho fino ou do Porto, possui uma vasta área verde que lhe confere uma aura de paz.







O Anjo Gabriel ou Anjo Mensageiro, na margem do rio Douro, perto da sua foz.
Da escultora Irene Vilar, falecida em 12 de Maio de 2008, aos 77 anos.

Uma imagem absolutamente tocante que, de acordo com a sua criadora, pretende simbolizar uma boa sorte para a cidade do Porto.

Virado literalmente para a foz do rio, a mim parece desejar boa sorte a todos os mareantes que se abalançam no mar e a quem por ele passa.




O mercado do Bolhão, outro símbolo maior do Porto.
Monumental, situa-se na baixa do Porto, entre as ruas Sá da Bandeira, Alexandre Braga, Fernandes Tomás e Formosa, e tem quatro entradas principais por onde podemos descer ou subir, para deambular pelos seus dois pisos.



A minha memória evoca os tanques, repletos de peixes vivos, as bancas das peixeiras, as galinheiras com os cestos, os pregões, as senhoras e as criadas que lá se abasteciam e o vernáculo que era o seu cartão de visita.



Ponto obrigatório para os forasteiros, o Bolhão reclama obras que até poderiam transformar este mercado numa pérola arquitectónica similar ao mercado de Budapeste, onde circulamos com vívido prazer, saboreando as iguarias regionais.


O nome Bolhão radica no seu passado: no terreno, onde foi construido, existiu um lameiro, terra fértil em água que, aqui, fazia uma bolha, jorrando em abundância.



A livraria Lello: uma pérola do Porto.
Situada nos Clérigos, é classificada como uma das mais belas livrarias do mundo (segundo o The Guardian é a 3ª mais bela). 



Foi propriedade do cidadão francês Ernest Chardron, editor das obras de Camilo Castelo Branco.
Depois de a vender aos irmãos Lello, estes reformaram as instalações que inauguraram com pompa e circunstância.
Este espaço, de características neogóticas, vale uma grande e relaxante visita.
No piso do rés-do-chão ainda são visíveis os estreitos carris que serviam para transporte de livros.



O grande vitral que ostenta a divisa Decus in Labore


As estantes austeras. 



No piso superior, é bom sentarmo-nos e saborear um café enquanto o olhar percorre tanta beleza.


Os tectos trabalhados.



A escadaria singular e majestosa, que nos leva ao segundo andar.
Obra de rara beleza.


Os jardins fabulosos da Fundação de Serralves, com os seus lagos artificiais construidos em socalcos, numa geometria rigorosa.

Para trás fica a casa construida em 1940 e habitada pelo segundo Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral, único exemplo português da arquitectura Art Déco (projecto de Marques da Silva).  


Os lagos estreitos, muito zen, que convergem numa taça de água, uma fonte.



Os jardins verdejantes, com uma profusão de árvores cujas copas se cerram e nos dão sombra apetecível, em dias de calor...


.... ou se abrem clareiras e nos deixam ver o céu azul...



A arte moderna, arrojada e minimal.
Uma presença constante e inadevertida.



A paz em seu esplendor máximo!
Ler, descansar ou caminhar são hipóteses que valem a pena...

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