VOANDO SOBRE OS HIMALAIAS
Agosto de 2007
Há, na verdade das nossas vidas curtas, momentos imensos, indescritíveis, inenarráveis.
Devemos coleccionar esses momentos Únicos, que não se repetem, mas perduram na memória.
Basta um raio de sol para fazer diferente uma paisagem que, por isso mesmo, deixou de ser o que era ontem.
Nuvens e gotas de água, a inclinação da asa do avião, o amanhecer que tinge de rosa o horizonte ou um poente que se arrasta exangue, com traços de fogo. E ficam gravados para sempre a música que ouvimos, o companheiro de viagem, os mais pequenos detalhes, só porque, nesse preciso momento, estivemos perante a grandiosidade silente, mas pujante, da terra ou do mar.
Sobrevoar a cordilheira dos Himalaias desperta este tumulto.
De repente, somos literalmente sacudidos pela força da natureza.
A mais alta cadeia montanhosa do mundo, com o mítico Everest, ali estendida entre a Índia (ao sul) e o Tibete (ao norte) é a "morada da neve".
Despertámos do sono com o Comandante a anunciar a presença da cordilheira e a promessa de reduzir a altitude do voo, para nos proporcionar esta visão de tirar o fôlego.
Mal refeitos da surpresa, houve quem pudesse capturar as imagens, apesar das nuvens.
Vista de muitos Kilómetros acima, a cordilheira é imponente.
Perante os seus cumes, nada mais há que silêncio.
E, apesar da velocidade, é uma massa gigantesca interminável.
A imaginação tem o tempo suficiente para deambular pelas crónicas conhecidas, para resgatar a história humana e a centenária conquista dos seus picos, com as tragédias que todos conhecemos, e as epopeias que são o vício de quem escala montanhas.
Ver, com os olhos e os outros sentidos.
Com o coração a bater, a respiração suspensa, o denodado esforço para gravar pormenores, como se fosse possível ....
Só pode restar a diáfana realidade ...
Essa luz que ilumina o rosto de quem vê....
Iva Carla Vieira
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