GUGGENHEIM - A JÓIA DE BILBAU

Agosto.2012

Os Bascos (bilbaínos ou vascones, em castelhano), e o seu país, são uma realidade que me fascina.
Há qualquer coisa indefinível que me atrai nas paisagens, nos costumes e nas gentes e que me faz voltar.

A costa agreste e recortada, com escarpas íngremes e doces que entram mar a dentro e nos proporcionam praias absolutamente aprazíveis nas águas do mar cantábrico.
 
O verde, nos mais variados matizes, acompanha-nos no interior, entre os Pirinéus e a cordilheira Cantábrica,  e gratifica-nos com paisagens dignas, imponentes, onde descobrimos sempre lugares cheios de história (como Gernika), vales amenos e montanhas graciosas, cujos picos se deixam cobrir por uma névoa difusa e tranquila, quando o sol se põe.
 
Os costumes e as tradições seculares que são guardados orgulhosamente pelo povo basco e que não deixam margem para dúvidas sobre a especificidade dos primeiros povoadores desta região.
 
Bilbau (ou Bilbo em euskera, o idioma basco) é a cidade que, por estar aninhada entre cordilheiras, é tratado pelos seus habitantes, carinhosamente por "o buraco".
De uma cidade escura e de traça industrial, forjada pelas metalomecânicas pesadas, passou a pólo de atracção turística, e é uma das mais visitadas de Espanha.
 
A sua jóia é, indiscutivelmente, o museu Guggenheim.
 
Projectado pelo arquiteto norte-americano Frank Gerhy o museu é uma estrutura que conferiu à cidade um novo rosto e a transformou esteticamente, por completo.
 
Por todas as razões, vale a pena ver e rever, sempre. 
 
Construído numa das margens do rio Nervion, que atravessa Bilbau, e que, por sua vez, faz parte de uma rede hidrográfica riquíssima, o museu integra-se com um perfeito à vontade na paisagem marinha. O lago que o circunda garante esta "leitura" de continuidade entre museu e água, terra e ria.
 
 
 
O puppy, escultura icónica que nos dá as boas vindas.
Suportada por flores de espécies diferentes, é uma sentinela que desperta a ternura dos visitantes.
 

 
 
 
 
Gerhy concebeu este museu só com superfícies curvas.
As únicas superfícies não curvilíneas são as que servem de pavimento do três patamares.
No interior, tudo flui diante do olhar, convidando-nos a jogos de perpectivas.



 
Construído com a forma de um peixe, o museu é revestido de placas de titânio que reflectem as cores da luz solar, podendo assumir uma paleta que vai desde a prata acutilante ao dourado e ao bronze avermelhado.
Um deleite para fotógrafos...
 
Devemos olhar e ver o museu descansadamente, sentados num dos vários puffs do átrio enorme.
Só assim podemos admirar as ideias subjacentes à inspiração e ao projecto de Gehry que viu a estrutura como uma flor, cuja corola é uma espécie de clarabóia gigante, por onde entra a luz solar. 
 

 
 
Gehry ficou profundamente marcado pela sua infância feliz.
Acompanhava o seu avô, quando este ia comprar carpas ao mercado e as metia na banheira até serem amanhadas para uma refeição.
Foi assim que a sua obra ficou foi influenciada pelo seu fascínio por peixes e escamas.

 
 
O elevador que une os 2 pisos e que é, também, uma estrutura fluida e curvilínea.
À esquerda, uma das estruturas mais complexas do museu, que suporta o peso de uma espécie de varanda no 1º piso.
As lajes que cobrem estas superfícies curvas foram, por si só, o desafio maior, pois foi preciso cortá-las com recurso a um programa de computador que garantisse uma união adequada, sem arestas grosseiras.
 
 

 
 
De qualquer lado, por onde olhemos, há sempre uma perspectiva desafiante.
 

 
 
Uma das salas de exposição permanente onde é perceptível o ondulado, quer do museu, quer das instalações que aí permanecem.
 

 
 
 No exterior, uma escultura policromada, onde se reflectem, com nitidez, as pessoas que se acercam para a fotografar. Um ramo de tulipas.




 
 
Visão de pormenor.
As pessoas fotografadas por reflexão.




Outra escultura cativante e perfeitamente integrada no conjunto arquitetónico e na paisagem.

 
 
A célebre aranha, no passeio que nos conduz até à ponte do milénio e ao casco histórico.
Ali está desde o princípio, para delícia de quem passa debaixo dela.




A escadaria que nos traz para dentro e nos leva embora.



 
Na senda da inovação, um azul forte marca um maior contraste com a cor platina das "escamas" do Guggenheim.



 
 
Um grande plano do puppy.
 

 
 
De visita obrigatória.
O café onde operários que construiram o Guggenheim comiam regularmente.
Para a história da cidade, deixaram peudurados os capacetes, a maioria autografados.
 

 
 
 
Mais uma marca que fica no esforço de modernização de Bilbau.
A sede do governo da região autónoma.
 

 
 
 
E, bem no centro da cidade, pertíssimo do Guggenheim, outra obra de igual relevo.
Do velho mercado, nasceu este forum peculiar, onde as colunas, todas diferentes e trabalhadas ou revestidas com materiais distintos, despertam reminiscências de Gaudi...  

 
 
...ou da cultura chinesa...
 

 
 
 
Um ângulo deste forum, onde os bilbaínos se reunem nos cafés.

 
 
De regresso a casa, mas sempre com vontade de regressar.
 

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