A ABADIA DO ARCANJO
OUTUBRO DE 2012
MONTE DE SAINT-MICHAEL
E A ABADIA DO ARCANJO
Num final de dia chuvoso.
Entre a Bretanha e a Normandia, muito perto da Mancha, é preciso fazer um grande caminho para visitar esta ilha minúscula, agreste, misteriosa, granítica que se ergue no meio de uma amplíssima baía, mundialmente conhecida pela velocidade com que as águas das marés enchem e vazam.
Mítico lugar de peregrinação, também é o mais visitado, a seguir à Torre Eiffel e a Versalhes.
É estupendo chegar e sentir a simplicidade majestosa do rochedo, dominado pela sua abadia que foi, e é ainda, o núcleo de um pequeníssimo lugarejo, com um reduzido casario, algum comércio, e uma paisagem de tirar o fôlego.
Depois de entrar no burgo, podemos subir o escadório de pedra que nos conduz à abadia.
Cerca de 250 degraus que se sobem sem dificuldade de maior, tanta é a diversidade que nos vai acompanhando com a subida.
Aqui, os telhados do casario já escurecidos pelo poente.
Um ângulo apertado da subida.
No alto, a abadia a que se chega depressa, apesar da altitude.
Lá em cima a abadia consagrada ao Arcanjo S. Miguel.
De raiz pré-românica, aqui se instalaram, no princípio do século VIII, os monges beneditinos.
Mais tarde ampliada com claustros, refeitório e outros aposentos dos monges, a rudimentar abadia transformou-se para ser hoje uma joia de estilo gótico, com os pináculos projectados no horizonte.
Uma paisagem serena de fim de dia.
Com maré baixa.
A beleza imensa e inenarrável da baía.
E a paz do burgo, que é lugar de peregrinação.
Por todo o lado, inscrições que atestam a passagem do tempo.
Durante a Guerra dos Cem Anos (séculos XIV e XV) a abadia foi sitiada por mais de 30 anos.
Para a defender, edificaram-se construções militares.
Escadórios que se sobem ou descem.
O arco redondo marca a chegada à abadia.
Mas é preciso galgar, ainda, mais uns lanços de escadas íngremes.
O cume do rochedo em todo o seu esplendor.
Bem visíveis o pano de muralha, na base da abadia, e os contrafortes que sustentam a granítica altura das suas paredes.
Um pormenor relevante para o turista.
Um monge em toda a sua austeridade e singeleza.
A caminho da única porta da muralha e já de saída.
Como nos castelos, há uma ponte levadiça e um fosso protector do burgo.
Água para matar a sede.
Uma fonte em forma de concha como a de Santiago de Compostela.
De volta a Tours, a mais de 300 Km.
Uma fotografia derradeira.
Um último olhar, através das gotas de chuva impiedosa que caía.
Na "navete" posta à disposição dos visitantes enquanto as obras de reabilitação transcorrem.
Para voltar!
Iva Carla Vieira
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