GERNIKA-LUMO: A CIDADE MÁRTIR
AGOSTO DE 2012
Perdida numa região idílica, entre planaltos e mar, encontramos Gernika, cidade mártir da Guerra Civil de Espanha.
Porque se recusou à rendição, foi bombardeada, a pedido de Francisco Franco, pela Legião Condor da Força Aérea Nazi, no dia 27 de Abril de 1937.
A sua destruição foi total. Sobreviveram, apenas, cerca de 800 pessoas e tudo ficou reduzido a escombros de guerra.
O célebre quadro de Pablo Picasso, num painel de azulejo em Gernika-Lumo, na província da Biscaia (ou Vizcaya, em Basco).
Depois de atravessarmos um parque tranquilo, de um verde profundo e um silêncio retemperador, há que encontrar este ex-libris da cidade.
E depois de uma visita ao Museu da Paz, no centro de Gernika, compreendemos finalmente a mensagem de Picasso.
Gernika reergueu-se das cinzas.
É uma cidade pequena, mas onde se respira, de facto, a tão desejada Paz.
Numa das entradas para o Parque da Europa, temos o auxílio valioso deste mapa.
A praça onde se situa o Museu da Paz.
Entrada do Museu.
No antigo Tribunal, convertido em Museu, somos recebidos por este mobile feito por crianças, com votos de Paz, e outros trabalhos escolares.
A visita guiada ao Museu da paz faz-se serenamente.
Mais do que ver obras de arte, o que importa é levar a cabo um exercício de reflexão sobre a violência, ler palavras, pensar.
Depois de uma experiência particular - feita por cada um de nós num espaço fechado que recria uma sala de estar da época com o tic-tac de um relógio de parede, os pensamentos falados de uma mulher e mãe que sente crescer o desespero e o silêncio que antecede um bombardeamento - somos confrontados com a imagem de uma pequena cidade arrasada, e não há sequer palavras para descrever o que sentimos.
Nos corredores do museu, a surpresa causada pela célebre fotografia dos militares de Abril, entre outras fotos que mereceram prémios.
Algumas reflexões...
Dos destroços pouco ou nada se salvou.
Talvez o melhor: o carvalho à sombra do qual os representantes das repúblicas biscaínas elaboraram as leis dos seus povos até 1876.
Rousseau terá dito que Gernika era a terra mais feliz do seu tempo.
Em frente ao célebre carvalho, a assembleia do povo.
Gernika é hoje um símbolo da Paz e dos direitos do Homem.
Em 2003 a UNESCO atribuiu-lhe o título de "Cidade da Paz".
É, ainda, membro da Associação das Cidades Mártires e dos Museus dedicados à Paz.
Das cinzas, os sobreviventes ergueram uma cidade nova, cheia de cor, amena e de uma afabilidade indiscutível.
Picasso inspirou.se nesta tragédia para pintar a sua obra-prima que emprestou ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, depois da Guerra Civil de Espanha, com a condição de esta só retornar à sua terra natal depois da queda do regime de Franco, o que aconteceu em 1981.
Hoje, o seu célebre quadro pode ser visto em Madrid, no Centro de Arte Moderna da Rainha Sofia.
Confesso que, apesar de o ter visto algumas vezes neste espaço, só depois de se sentir a destruição, o medo, a barbárie, a injustiça e a crueldade sem nome do bombardeamento de Gernika é que pude interpretar a revolta e sentir o génio de Picasso.
E, como este cidadão de Gernika, espero vigilantemente que a Paz seja preservada!
Iva Carla Vieira
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